domingo, 2 de setembro de 2007

Calango 2007 - 1ª noite

Cultura livre ligada em rede. Essa é a proposta do Festival Calango, que chega à sua 5ª edição incluindo no programa artes digitais, literatura e projetos ecológicos organizados por artistas e produtores do país inteiro.

Por três noites, Cuiabá se transforma em palco para 47 bandas que, juntas, representam todas as regiões do país, do Acre ao Rio Grande do Sul, do Ceará a São Paulo, das Minas Gerais a Roraima. A cidade vira um verdadeiro celeiro para quem quer ouvir música fresca, nova, diferente do que se ouve nas FMs – freqüências que andam mais moduladas que nunca.

A primeira noite foi aberta pela Zen Fin, banda selecionada nas prévias (destinadas aos músicos que ainda não gravaram CDs). O público, que ainda estava chegando, conferiu uma apresentação cheia de gás coroada pela voz poderosa do vocalista. Seguiram-se Aoxin, banda da casa, e Unchronics, representando Goiás.

O Parkers, do vizinho Mato Grosso do Sul, adicionou punk rock a uma noite até então marcada pelo som pesado. Mas a grande surpresa da noite foram os goianos do Johnny & Alfredo e os Neurônios Mongóis. A trupe, envergando figurinos coloridamente festivos, foi a primeira a se comunicar com a galera da arena – a essa hora bem mais cheia do que no começo. Inventiva e performática, foi uma das melhores bandas da noite.

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O atraso de quase duas horas do começo foi diminuindo aos poucos, com a eficiente produção em dois palcos. As bandas se apresentavam sem intervalos, o que colaborou bastante para a fluência do festival, mas cansou um pouco os ouvidos em meio a tamanha maratona musical.

Em seguida, os mineiros do Carolina Diz subiram ao palco. Na seqüência, o Cachorro Doido, do Mato Grosso, mostrou que estava em casa ao interagir bastante com a platéia e desfiar seus blues à vontade.

Os paraenses da Cravo e Carbono se destacaram ao apresentar, com segurança, uma competente mistura de letras interessantes e influências do mangue beat.

Camundogs, do Acre, Chilli Mostarda, do Mato Grosso, e The Rockefellers, de Goiás, pegaram a platéia em seu auge. O Debate, único representante de Sampa da noite, mostrou seu rock alternativo cheio de ritmos quebrados e idéias inovadoras – mas não atraiu a atenção de uma parte do público, que já aguardava o show do badalado Maldita.

A banda carioca bebe na fonte do rock industrial e do death metal, e de repente surpreende com climas trip hop promovidos pelo tecladista. O destaque principal, além do bom baterista, fica para a marcante performance vocal e de palco do frontman Erich Mariani, que “laçou” uma garota com o fio do microfone em meio à apresentação.

O Revoltz (MT) fez um dos melhores shows da noite para um público já minguante. A banda, mezzo mato-grossense, mezzo sul mato-grossense, mezzo nipônica e mezzo gaúcha (é, eles têm uma porção de metades), botou os presentes para dançar com seu rockpop de pegada à la Pixies e uma melódica consonância entre os vocais.

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Hellzen (MT) veio na seqüência, substituindo o Fuzzly na escalação, e agradou o público metaleiro presente, com seu espetáculo de fogo e guturalices.

E então veio a grande atração The Supersónicos, diretamente de Montevidéu, Uruguai. Desfavorecidos pelo horário, os uruguaios ofereceram ao pouco público remanescente uma excelente mistura de surf music com referências oitentistas (boas referencias, como Devo e Cure, por sinal). O entrosamento, a performance de palco e os timbres eletrônicos/semi-acústicos foram alguns dos muitos pontos positivos do quarteto. Leo Sónico, o grande porta-voz, não deixou o ritmo cair, anunciando cada música e dialogando com a platéia em um português bem convincente.

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Nessa longa jornada noite adentro, a banca do Escárnio e Osso! juntou gente, divulgou sons, integrou novas bandas, espalhou a cena e zerou as camisetas femininas tamanho P. Agora vamos para a segunda noite, onde a prata da nossa casa, que também responde por Seminal, sobe ao palco para apresentar ao público do maior festival de Hell City seu som ímpar.

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Fotos dos shows
Vai, EO!

Um comentário:

Muta disse...

mto bom, sensacional!

ouvi seminal ontem pela internet, direto do calango!

clap, clap, clap pra tudo isso!

hugs